Os semelhantes se atraem

Sem avaliarem a própria conduta, existem pessoas que não entendem os motivos pelos quais atraem determinados tipos de pessoas. Queixam-se e se questionam e acabam até se vitimando por terem que “suportar” certas pessoas que convivem.

Aprendemos, com a Lei de Coulomb, que corpos carregados com cargas opostas se atraem e corpos carregados com cargas iguais se repelem. Este conceito está ligado à eletricidade. Esta teoria se expande quando o assunto é relações humanas, dizem que os opostos se atraem. Será?

Pode ser que o que tenha chamado à atenção no outro sejam características que você tem e que ele admira e julga ser o seu oposto. Mas, se ambos, em uma relação, não estiverem na mesma sintonia, se os interesses, gostos e a forma de ver a vida não forem semelhantes, não será fácil manter este vínculo. Não é por um acaso que optamos nos relacionar amorosamente com certa pessoa. Muito daquilo que vejo no outro se parece e/ou esbarra em algo que há em mim e, pode até ser, que seja inconsciente, que eu ainda não reconheça isso em mim. Há quem diga que, em uma relação amorosa, até as características físicas se assemelham ou que, o casal acaba se parecendo fisicamente um com o outro, com o passar do tempo.

Podemos estender esta ideia para percebermos outras relações. Tudo o que gostamos e escolhemos têm a ver com a gente. Algumas frases como: “Você é aquilo que você come”, “Diga-me com quem tu andas que te direi quem és”, são faladas sem entender que somos não somente o que comemos, mas sim tudo aquilo que gostamos, todas as nossas preferências e também há um pouco - ou muito - de nós naqueles que escolhemos como amigos e no nosso parceiro(a) também.

Se ampliarmos mais um pouco este conceito, acabaremos compreendendo os motivos que nos levam a morar onde moramos, trabalhar onde trabalhamos e lidar com determinadas situações. Exemplificando, a corrupção escancarada existente no nosso país indigna e enoja a maioria da população, mas se voltarmos para a nossa própria vida, podemos nos questionar: Qual é a nossa corrupção? Em que ou quando estamos sendo corruptos?

Tudo começa por nós mesmos. Não é por um acaso que vivemos cercados de pessoas que dizem e agem de certo modo. É importante avaliar o que há em mim que proporciona a manutenção de determinados vínculos.

As redes sociais estão invadidas por frases como: “A mudança começa por você” ou “Quando eu mudo, tudo muda”. Isso é real, porém é necessário nos aprofundarmos mais nesta ideia e termos consciência da nossa responsabilidade diante daquilo que nos acontece. Temos liberdade para escolhermos com quem queremos nos relacionar e estreitar laços, mas isso implica em nos responsabilizar por estas opções. Não vale se colocar a mercê da vida e do que acontece com a gente sem nos colocarmos como sujeito da nossa própria ação.

Se desejamos dar um basta, se estamos insatisfeitos com as nossas relações ou queremos mudar algo, um bom começo é olharmos para dentro de nós mesmos; é nos conhecermos e nos questionarmos sobre a nossa responsabilidade diante daquilo que vivemos.

 

Bruna Godoy

CRP 04/31030

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